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Dor nas costas: o vilão do trabalho que merece atenção

Mais Coluna • 31 de outubro de 2026

Ela pode transformar uma reunião em um desafio, dificultar o levantamento de uma caixa e acompanhar o trabalhador até depois do expediente. A dor nas costas, especialmente na região lombar — a parte inferior da coluna —, tem impacto direto na qualidade de vida e na capacidade de trabalhar. Segundo a Organização Mundial da Saúde, 619 milhões de pessoas apresentavam dor lombar em 2020, e o problema é a principal causa de incapacidade no mundo. Por trás desse número estão atividades interrompidas, perda de produtividade e limitações que merecem cuidado.


Entender essa dor é o primeiro passo para enfrentá-la. Cerca de 90% dos casos de lombalgia são inespecíficos, ou seja, não é possível identificar uma doença ou alteração estrutural específica que explique os sintomas. Isso não torna a dor menos real: mostra que sua avaliação precisa considerar mais do que uma imagem da coluna. Demandas físicas, fatores emocionais e contexto social podem influenciar a experiência dolorosa. Por isso, a OMS recomenda um cuidado individualizado, com educação, exercícios e estratégias que ajudem a recuperar a participação nas atividades diárias.


É nesse cuidado que a quiropraxia pode contribuir. A manipulação vertebral, uma das ferramentas utilizadas pelos quiropraxistas, foi avaliada em uma revisão publicada no BMJ em 2019, reunindo 47 estudos e 9.211 participantes com dor lombar crônica. Os pesquisadores encontraram alívio da dor semelhante ao de outras terapias recomendadas e uma pequena vantagem na capacidade funcional no curto prazo. A OMS também admite essa intervenção como parte do tratamento da dor lombar crônica primária, com recomendação condicional e evidência de certeza muito baixa — portanto, a indicação depende da avaliação e das preferências de cada paciente.


Para quem trabalha com dor, o objetivo do cuidado deve ser concreto: conseguir realizar suas tarefas com mais conforto, autonomia e confiança. Uma abordagem quiroprática alinhada à ciência combina avaliação criteriosa, discussão de benefícios e riscos e, quando indicado, técnicas manuais integradas a exercícios e orientações de autocuidado. O valor está em ajudar a pessoa a recuperar sua vida em movimento, acompanhando os resultados e ajustando o plano às suas necessidades. Cuidar da coluna é também cuidar da vida que acontece durante — e depois — do trabalho.